Era uma vez uma menina muito confusa e que adorava andar pela rua molhada, como estava naquele momento em que tudo aconteceu. Caminhando lentamente, pisando em algumas poças e passando a mão pelo cabelo bagunçado, ela percebeu que algo havia mudado. Encontrou duas pessoas numa esquina, achou que conhecia a menina que estava encostada no portão. Lembrou de tudo que havia ocorrido até ali, desde que conhecera a dita cuja. Promessas, feitos e desfeitos, tudo jogado pro ar. Ainda mais naquela hora. Preferiu não acreditar no que via, já que passou boa parte de seu tempo acreditando em todas as fantasias que lhe contavam. Alguns segundos depois, parou de andar e ficou olhando o casal conversando. Tudo lhe passava á cabeça como se fosse um daqueles filmes sem som, preto e branco, onde só se entendia pouca coisa. Seu corpo pedia pra ficar onde estava, mas sua alma queria sair, voar pra longe e esquecer de tudo.
Desmaiou, bem ali aonde estava. Não conseguiu mais ver a menina que conhecia, nem seu par, nem a poça onde estava.
Chovia. Ao longe, uma moça corre em direção ao seu corpo. Chora, grita, pede socorro. Desespera e, como se o tempo tivesse parado, aproxima seu rosto ao da moça. A beija lentamente, como se fosse seu último beijo. A chuva engrossa, a moça acorda e, sem cessar, retoma o beijo.
A chuva passa, o sol surge aos poucos, as pessoas vão saindo ás ruas e as moças vão embora juntas.
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por @peera_
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